NOSSA HISTÓRIA

O ano era 1990. Senna já era cam­peão mundial de F1 e corria para seu bicampeonato. Eu nem 10 anos tinha, era um garoto da terceira série do primário, no Colégio Cônsul.

O colégio é, e sempre será, a nossa segunda família. Considero a minha base e um mundo para novas descobertas, para além daquelas que temos em nossas casas. Lembro de uma das salas de aulas que ficava nos fundos de um salão enorme, ao lado do ginásio de esportes, um espaço chamado de Artes Industriais. Minha turma não chegou a ter aula de Artes Industriais, mas, sempre que por ali passava, muitas coisas que via naquela sala chamavam minha atenção. Eram umas máquinas malucas, que não fazia ideia para que serviam! E sentia uma curiosidade imensa em descobrir para que serviam. Mas, uma delas me cha­mava mais a atenção. Era uma estrutura de aço, com um canal central e qua­ tro rodas e eu não entendia o que era aquilo, mas, achava muito legal e não demorou muito para eu questionar meu Pai e ele me revelar que, aquela peça era um chassi de Fusca.

As lembranças daquela sala permitem que hoje eu possa perce­ber a importância das máquinas para a cidade de Brusque e, imagino que lá pode ter sido o berço de muitas pai­xões , inclusive, não só para indústria, mas, como a de muitos de nós Brus­quenses, pelos esportes à motor.

É certo que lidar com máquinas por esporte contribuiu e contribui muito para o desenvolvimento industrial como um todo, pois é um laboratório de pesquisa. Seja através de novas formas e estruturas, ou por fórmulas químicas e físicas testadas “na sorte”. O Kart nos treina a ter disciplina e nos ensina muito mais do que acelerar e fazer melhores tempos. Ensina  que, ajustar  e compreender os equipamentos é muito semelhante aos problemas que enfrentamos na vida; ensina-nos a lidar com imprevis­tos e a pensar fora da caixa de ferra­mentas ou da pista de corrida.

A nossa história começou em 09 de setembro de 1972 pelas mãos da fa­mília Loos, Verônica pilotou o primeiro Mini 1967. De lá para cá, muitas foram as participações de Brusquenses em corridas de Kart ,com provas, na pista em Gaspar, no Paraíso dos Pôneis, na Praia Brava de Itajaí (onde hoje fica o Brava Mali) e no clássico Kartódromo dos Ingleses, em Florianópolis.

Aos poucos a prática do espor­te foi ganhando novos e bons compe­tidores em Brusque e, nos anos 80 foi realizada uma corrida no estacionamento do Bandeirante, foi na parte de lajota mesmo. Lembro de ver as fotos do meu tio Mario e também do Bilaus, do Luizinho e do Tato.

Já nos anos 90. Logo após a morte do ídolo maior do automobilismo, Ayrton Senna, o Kart explodiu em popularidade. Aqui em Brusque, vol­tamos a ter uma prova no Bandeirante, porém, no piso recém asfaltado do estacionamento, local que hoje estão localizadas as quadras de beach ten­nis. Essa corrida aconteceu no ano de 1994 e, para mim, tem um significado muito especial: foi a primeira corrida de Kart da minha vida!

Na década de 90, o Kartis­mo cresceu muito em Brusque e transformou em pista a Beira Rio, palco de uma série de corridas. A pista ficava localizada no contorno de onde hoje estão construídos os prédios da Quattra, sendo que o cir­cuito descia pela rodoviária e dava a volta  em torno da quadra. Esse era o ano de 1995 e um grande público assistiu e torceu pelos pilotos, movimentando a cidade de Brusque.

No ano seguinte, construímos o primeiro kartódromo de Brusque, que há pouco tempo deixou de existir. Quem não lembra de chegar na cidade, descendo o Mont Serrat e ver a pis­ta organizada e limpa, dava orgulho. O crescimento da cidade tornou o nosso Kartódromo inviável naquele local. Os Karts agora maiores e mais rápidos deixaram a pista quase obsoleta e, cla­ro, o Kartismo causava muito barulho para estar no centro da cidade.

Chegamos ao emblemático ano de 2020. O que era futuro se faz presente. Já vivemos ele, seja pelos carros elétricos, corridas virtuais, tra­balho e escola on line. O mundo atual mexeu com os sonhos e desejos de to­ dos nós, mas uma coisa é certa, vence­ remos esta fase e olharemos para trás com muito orgulho da evolução da sociedade como um todo. Na certeza de que as máquinas nunca deixaram de nos emocionar.

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